| Força da grana gera rimas sobre consumo no funk de SP | ||||
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FERNANDA MENA Quando o funkeiro MC Bio-G3 sentou à mesa do subprefeito da Cidade Tiradentes, Renato Barreiros, para discutir o volume do batidão dos bailes que promovia no pedaço, não poderia imaginar final mais feliz.
No regulamento, uma premissa crucial requisitada pela Subprefeitura: as músicas concorrentes não poderiam fazer apologia ao crimes, às drogas ou à promiscuidade sexual. Para Bio-G3, era tarefa fácil. Ele mesmo é autor de um hit dos bailes que caberia nas regras do concurso. "Bonde da Juju", que já teve mais de um milhão de acessos no YouTube, trata do objeto de desejo da vez entre os jovens da periferia paulistana: um par de óculos modelo Juliet da marca Oakley. Kit Como diz a letra, os óculos chegam a custar mais "de um barão" (R$ 1.000) e fazem parte daquilo que os funkeiros de São Paulo chamam de "kit", ou seja, os itens de vestimenta que todo garoto dali gostaria de "portar" (vestir). Faz parte dele uma corrente de ouro, camisetas da marca Ecko e tênis Nike. É a força da grana, diria Caetano Veloso. O consumo e a ostentação de marcas fazem parte do universo temático desse funk da periferia. "É uma maneira de inserção social. Esse apelo do consumo está em toda parte e, nas letras, representa um desejo de estar no centro", avalia Alexandre Pereira, pesquisador do Núcleo de Antropologia Urbana da USP. Garotas Para Pereira, uma das razões para o funk ter tomado parte do lugar do hip hop e do rap nas periferias paulistanas se deve à maneira como o ritmo mobiliza as mulheres. "A mulher tem um lugar de destaque no funk que não necessariamente acontece com o rap."
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| Última atualização ( Sáb, 30 de Janeiro de 2010 02:04 ) |
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